Palestra do Frei Hildebrando – Datada de 04 de março de 1973

Meus prezados Rádio Ouvintes

Muitas e muitas vezes mister  se faz: elevarmos os pensamentos ao alto e fixarmos o coração na eternidade.

Quando a dor nos visita; – quando somos agitados pela revolta; – quando abatidos pela depressão ou envoltos pela tristeza – torna-se necessário voar na direção vertical das coisas sublimes. Para tanto possuímos as misteriosas asas da esperança.

Afinal de contas – tudo é tão fugaz neste  mundo que passa; tudo é tão efêmero neste globo terráqueo, por onde peregrinamos… Mas o importante não é passar… peregrinar…! O importante é: pensar, refletir! Sim, pensar, refletir como tudo nos parecerá indiferente no momento, em que tivermos que alçar o último voo, ajudados por uma luz especial, mas viva! Que nos fará ver mais de perto e melhor a Verdade!!! Devemos sempre de novo pensar e considerar que os sofrimentos de modo geral, num dia, naquele último momento, nos parecerão relativamente bem pequeninos…!!… e que é  curto o sofrimento em face da alegria eterna que esperamos.

Devemos sempre de novo recordar-nos das sublimes palavras do Apóstolo S. Paulo: “Todos os padecimentos e provações e privações desta vida não são comparáveis com as delicias do céu, que Deus preparou para os que o amam”.

Além disto pensamos também nos outros!!… pensemos neles no sentido de lhes aliviar as dores… de consolá-los em suas aflições.

Doçuras inefáveis, jamais imaginadas experimentaremos diminuindo as amarguras que torturam o próximo, e fazendo-lhes crescer a esperança e confiança em Deus… mergulhando finalmente todas as tristezas na certeza da nossa imortalidade. Tenho dito.

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Crônica do Frei Hildebrando datada de agosto de 1980

Meus prezados Rádio Ouvintes:

Dom Fulquier – bispo francês – preso à cama pela doença, recebeu, um dia, a caridosa visita dum sacerdote que desejava informar-se da sua saúde. O estado do prelado era realmente bem digno de compaixão: cego – quase surdo – e, de contínuo, atormentado por cruéis dores!!!

Começou por dizer: Meu Amigo – há muito que estou doente e realmente estou sofrendo bastante. Contudo tenho uma oraçãozinha que sempre rezo e que me dá sempre nova coragem. Sabe qual é? Vou dizer:

“Meu Jesus – estou cego. Mas faça-se a Vossa vontade!

Meu Jesus – estou surdo, mas faça-se em mim a Vossa santa vontade!

Meu Jesus – sofro em todo o meu corpo, mas faça-se a Vossa Vontade!

Meu Jesus – estou impossibilitado de celebrar a Santa Missa, mas faça-se a Vossa santa vontade!

Meu Jesus – não posso rezar o meu breviário, mas faça-se a Vossa vontade!

Meu Jesus – com frequência me vejo sozinho – abandonado e como um inútil neste mundo – mas faça-se a Vossa santa vontade!

Meu Jesus – custa-me ser um peso para os outros e nada poder fazer, mas faça-se a Vossa santa vontade!

Eis, meu Amigo, a minha oração de toda hora. Ele me tem fortalecido e consolado imenso. Todos os outros meios são ineficazes: a vontade de Deus é o meu único esteio”.

Meus Amigos – o bispo FULQUIER era uma alma de apóstolo. As almas imoladas falam sempre esta linguagem. Que eu seja pobre! – doente! – condenado à inação! – desfavorecido de consolações! A minha inutilidade – todos os meus sofrimentos de corpo e alma – tudo … eu Vo-lo ofereço, ó Jesus! Cumpra-se unicamente a Vossa santa vontade!!!”

Aí, meus Amigos, temos um exemplo verdadeiramente heroico de sofrimento. Peçamos também nós um pouquinho mais de coragem para seguirmos sempre de perto a Jesus – até o Calvário. Tenho dito.

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Crônica do Frei Hildebrando datada de Palestra datada de maio de 1983

 

Meus prezados Rádio ouvintes:

“DIA BONITO NÃO É FEITO SOMENTE DE RAIOS DE SOL”.

Uma das coisas mais difíceis de vencer durante o dia, é a ROTINA.

Todas as pessoas tem uma série de atividades diárias indispensáveis! Estas atividades tornam-se habituais – tornam-se costumes. Se as fizermos como uma simples ROTINA – apenas como HÁBITO – um REGULAMENTO – nós não progredimos. No entanto, não devem ser as atividades, que marquem nossa vida, mas nós é que devemos marcar as atividades com o nosso AMOR, com a nossa personalidade – senão as atividades podem tornar-nos simples máquinas.

Todas as obras realizadas com carinho, tornam-se mais belas, mais artísticas – humanamente falando.

Podemos repetir uma tarefa uma vida inteira, e podemos realiza-la como se fosse a primeira vez, todos os dias.

Meus Amigos: As coisas são sempre novas, quando a levamos a efeitos com  AMOR!

O AMOR,  somente o AMOR, é capaz de encontrar novidade, surpresas nas coisas que fazemos todos os dias. O AMOR sempre enxerga o mundo como se fosse novo, original!

O que torna o mundo sempre igual, é a falta de amor!

Quem não ama uma pessoa que está ao seu lado, a vê sempre a mesma, nunca é capaz de contemplá-la com seus progressos. O casal que não se ama, rotiniza tudo: palavra – afeto – tarefa executada, tudo sem a novidade transformadora que é o AMOR!

Meus Amigos: O amor faz com que vejamos as coisas sempre com novidades. O amor muda e transforma nossas tarefas em alegria, em novidades constantes.

Quem não ama, torna tudo insípido, desagradável, insosso e sem gosto.

AME sempre, e todas as coisas e tarefas, mesmo realizadas milhares de vezes, tornam-se originais, belas, de primeira mão!

O amor nos dá a sensibilidade – poesia – energia – senso e gosto de tudo.

A rotina empobrece e embota a sensibilidade e as qualidades humanas.

O AMOR enobrece – rejuvenesce – e tudo será belo, ameno, aprazível, gostoso, agradável, deleitoso e alegre.

EXPERIMENTE!

Tenho dito.

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Crônica do Frei Hildebrando – datada de 12 de dezembro de 1970

Meus prezados ouvintes:

Outro dia deparei-me com uma oração que me impressionou bastante e que, de certo, há de interessar também aos ouvintes deste meu programa AOS QUE SOFREM. Razão porque a reproduzo aqui.

O título é: ORAÇÃO DE ALGUÉM QUE SOFRE COM OS QUE SOFREM:

Nesta hora, Senhor, quero estar só! Só, diante de ti, Contigo, para te dizer o que sinto: para te dizer a multidão de preocupações que me invade todo dia. Para fazer também  o meu pedido de bênçãos sobre toda a família sofredora deste gigante Brasil sofredor.

Sim, fico pensando, Senhor… Pensando naquela família de Nazaré: Maria, a boa serva do Senhor, sempre pronta a fazer a vontade divina. José, o carpinteiro, cumprindo com exatidão os deveres de seu ofício, para sustentar bem esta família tão humana. E, um filho! Este filho teria um grave destino. Ali estava ele! Podíamos dizer: um autêntico subversivo em germe para aquela época e, talvez, para todas as épocas. Um filho que mais tarde deveria ser caluniado, maltratado e até morto, porque sublevava o povo contra estruturas arcaicas que de há muito vinham esmagando os pobres em favor de uma elite. Este filho eras tu, Senhor, na pessoa daquele homem chamado Cristo.

E nesta hora, Senhor, em que contemplo esta família pobre, de destino santo, eu fico pensando. Fico pensando em tantas famílias pobres que são pobres, porque são exploradas, incompreendidas e abandonadas! Sofro com esta gente, Senhor. Esta família pobre que dorme nas calçadas, embrulhada em jornais velhos. Aquela do morro que não tem nenhuma comidinha para a criança que chora, de estômago vazio. Esta pobre que tem tão pouco de humano, porque lhe faltam recursos – Instrução, União, Amor, Calor humano. Eu tenho pena das crianças pobres e abandonadas. Eu compreendo, Senhor. É todo um contexto social que faz esta gente sofrer. Mas não é só. É principalmente o egoísmo humano que tira de tantos lares o resto da humanidade, que ainda existe. E tu, Senhor, nos fizeste para sermos humanos. Para sermos gente! Para sermos felizes!

Estou triste, Senhor. Confuso… Bem que gostaria de ajudar a levantar esta família pobre. Já tentei… Mas como é difícil, Senhor! Abençoa esta família brasileira que sofre na miséria, para que encontre apoio nos irmãos mais abastados. Abençoa a nossa sociedade. Tenho dito.

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Palestra do Frei Hildebrando – datada de 1977

Meus prezados Rádio-Ouvintes

Como é bom cantar… e como é bom sorrir!… olhando sempre o lado bom da vida.

Cantar!  Ainda que não se tenha uma voz privilegiada!

Cantar a beleza da vida, esquecendo suas tristezas e superando todas as amarguras. Como é bom cantar, cantar sempre!

Entretanto – se nem todos podem cantar e muitos não o conseguem, pelo menos não há quem não saiba sorrir! E é tão bom sorrir!

O sorriso traz sempre um novo brilho em tudo quanto existe. Sorrir é despertar alvoradas de alegrias; é acender luzes de esperança; é entoar harmonias de felicidade!

Quero crer que todos os sorrisos são uma inspiração de ternura a iluminar todos os semblantes. E a ternura é uma delicada manifestação de amor que canta no coração de cada criatura.

Meus amigos, penso que a maneira delicada de cantar, mesmo sem ter voz privilegiada, é manifestar o amor sorrindo.

Até as criancinhas! Que ainda não sabem, falar, e muito menos cantar, sabem, no entanto, sorrir. E sorrindo elas vão falando e vão cantando o poema de amor na linguagem da ternura.

O mestre divino, sábio e bondoso, simples e humilde, a todos nos convida para imitarmos, também nós,  as criancinhas!!!

Todos nós podemos dar uma boa contribuição para a felicidade de todos.

Assim sorrindo – sorrindo sempre … simplesmente sorrindo!!!…

Porque sorrindo estamos cantando o poema do amor. E cantando o amor, na linguagem de ternura, todos havemos de nos sentir confraternizados na grande sinfonia da compreensão.

Tudo é tão simples, por entre as ilusões do mundo, quando o ideal de nossa vida está muito acima do chão, em que pisamos.

Meus prezados amigos – olhemos sempre, sempre o lado bom da vida e sentiremos mais vontade de cantar e de sorrir… e cantando e sorrindo estamos entoando o mais belo poema que é O AMOR sempre tão humano e tão divino. Tenho dito.

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