Palestra de Frei Hildebrando – datada de 24 de janeiro de 1981

(Transcrita na íntegra)

Meus prezados Rádio-Ouvintes:

SONATTI – o maior alpinista do século vinte, afirmou: “Não quero mais descer. Quero viver aqui em cima. Lá em baixo eu me aborreço. Na planície tudo é medíocre.”

Meus Amigos: os santos – os gênios – os “fora-da-série” são alpinistas. Os pulmões de seu espírito dão-se bem com as alturas oxigenadas. Fosse por eles, instalariam tendas definitivas lá em cima, longe da planície medíocre, onde manda de maior acontece.

 Meus amigos: Diógenes, o sábio grego, perguntando porque andava pelas ruas, de lanterna acesa em punho, em pleno dia, – respondeu laconicamente: Precisamos de lanterna, em claro, para os encontrar na multidão anônima de rostos massificados.

 A mediocridade navega em águas rasas da planície.

 Subir custa: o suor da fronte e o sangue do coração. Reclama fôlego, mangas arregaçadas. A instalação no conforto, a tentação do mais fácil é um reclame instinto da natureza egoísta.

 Por que se esforçar? Por que sair da “sua”? Por que adicionar problemas alheios, se os próprios já são muitos? Por que enxugar as lágrimas dos outros, se não consigo secar as minhas? Por que cicatrizar a ferida do próximo, se meu coração é chaga viva? Por que dar impulso maior à minha piedade, se “santo” nunca serei – e se me salvo como simples cristão?

 Meus Amigos – Cristo foi um cultor das montanhas. É lá nas alturas que gostava de rezar. É às alturas que Ele gostava de conduzir os seus Apóstolos.

Foi na montanha que Ele produziu o seu maior Sermão – Sermão de sua plataforma – Sermão das Bem-aventuranças.

Uma das montanhas diárias que cortam a planície do nosso cotidiano é a Eucaristia.

 Sábios – e Bem-aventurados os que levam sua vida para dentro da Eucaristia e a Eucaristia para dentro de sua vida.

 Almas – mente e coração oxigenados nas alturas eucarísticas resistem melhor na planície do “sempre igual” aqui em baixo. E é de lá que melhor se descortinam os vastos horizontes da eternidade.

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