Palestra de Frei Hildebrando – datada de 29 de janeiro de 1970

(Transcrita na íntegra)

Meus prezados ouvintes:

Quantas vezes, já ouvi de pessoas que me procuram, o desabafo quase que explosivo: “Não sinto mais fé… perdi a fé…porque não obstante tantas orações e comunhões e novenas, o mal-estar continua da mesma forma…como também toda a situação vexatória… aliás, está indo cada vez pior.”

Meus amigos: É sempre o mesmo problema: Os homens tem dificuldade em decifrar o mistério da cruz.

Certo senhor interpelou uma senhora, por sinal muito piedosa e caridosa, e que contudo muito sofria: “Por que a dor?… POR QUE, se Deus é bom?”

Retrucou ela: “Precisamente por isso mesmo… porque Deus é bom”.

Numerosas pessoas, de certo, manifestam espanto diante dessa afirmativa.

Mas… é como lemos numa passagem luminosa da Sagrada Escritura, em que Deus proclama: “Os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, e os meus caminhos não são os vossos caminhos. “Deus sabe o que faz e como deve agir, para tudo finalmente redundar em maior benefício de suas criaturas.

Quando o homem esquecido do seu destino imortal, entregue cegamente aos gozos efêmeros da vida, e emaranhado em mil negócios extravagantes, preso a todos os caprichos e paixões desenfreadas, insensível a todas as amarguras de seu próximo, até de seus familiares, embriagado pela febre das grandezas e dos triunfos, simplesmente alheio aos interesses supremos do seu verdadeiro destino, vai se afastando do reto caminho – Deus então, muitas vezes manda a dor, a fim de despertá-lo do sono fatal; e apontando-lhe o caminho da vida imortal, traz ao seu espírito conturbado a sábia reflexão de que nesta terra da mentira e do pecado a alma não encontra coisa alguma que satisfaça plenamente o seu coração.

Quem ama verdadeiramente uma criatura, vendo-a em perigo, para salvá-la, emprega todos os esforços. E, em certas circunstâncias, os meios são dolorosíssimos: entretanto, ninguém os reprova sob pena de passar por insensato. Está, por exemplo, doente uma criança? Sua mãe, tomando-a nos braços, apresenta-a ao cirurgião que com o bisturi vai operá-la. A criança a gritar repele o médico. No entanto, quem ousará dizer que a mãe é cruel? Talvez o filho num acesso de dor. Mas, quem contempla a cena, mais se compadece da mãe do que da criança.

Meus prezados amigos, também no trabalho divino da cura, da ressurreição espiritual das almas, o amor de Deus procede de modo semelhante. Jesus,  o Mestre dos Mestres, o Médico de todos os médicos, por meio de lágrimas, gemidos e dor, purifica e restabelece a alma enferma.

Eis aqui apenas uma das razões divinas da dor.

Muitas outras há, mormente em se tratando de provações, que Deus frequentemente envia às pessoas mais virtuosas, mais caridosas e bondosas – assunto que iremos abordar em outra oportunidade. Tenho dito.

 

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