Crônica do Livro “Aos que Sofrem”

Mais uma Crônica do Frei Hildebrando – Datada de 5 de fevereiro de 1972

Meus prezados ouvintes:

Outro dia vi um homem engessado, numa enfermaria de hospital. Tinha o tórax e um braço, o braço direito, imobilizados. Com o braço esquerdo, esforçava-se por fazer tudo… como lhe era possível. O gesso era uma tortura, mas o braço esquerdo, se bem que mais cansado à noite, robustecia-se trabalhando por dois.

Meus amigos: Nós somos membros uns dos outros no corpo místico de Jesus Cristo…. e o serviço recíproco é nosso dever. Não é apenas um conselho de Jesus – é um mandamento. Quando servimos alguém por caridade, não nos julguemos santos. Se o próximo estiver sem forças, devemos ajuda-lo… e ajuda-lo como ele se ajudaria a si mesmo, se pudesse. Do contrário… que cristãos somos nós?!

Se um dia chegar a hora de precisar da caridade do irmão, não nos sintamos humilhados. No dia do JUÍZO FINAL ouviremos Jesus repetir: “Eu estava enfermo e me visitastes… estava preso, estava nu, estava com fome… (e vós me socorrestes!)” Jesus se compraz em ocultar-se no sofredor… no necessitado.

Sintamos, portanto, também naquela hora, a nossa dignidade, e agradeçamos de todo coração, a quem nos ajuda, mas, reservamos o agradecimento mais profundo a Deus que criou o coração humano caridoso; a Cristo que apregoando com seu sangue a boa nova, sobretudo o seu mandamento, impeliu um número sem fim de corações a se moverem em ajuda recíproca.

Com este mandamento distinguiu os cristãos de todos os séculos, dos outros. Se nós cristãos não manifestarmos esta característica, confundir-nos-ão com o mundo, e perderemos a honra de sermos considerados “filhos de Deus”. E – como insensatos – deixaremos de usar a arma, talvez a mais forte, para dar testemunho de Deus em nosso ambiente gelado do ateísmo, impregnado de paganismo, indiferente e supersticioso. Que o mundo atônito possa contemplar um espetáculo de concórdia fraterna, e dizer de nós – como dizia dos que, gloriosamente, nos precederam: “Vede como se amam”. Tenho dito.

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