Mais uma Crônica de Frei Hildebrando

Datada de 11 de fevereiro de 1978

Meus prezados Rádio Ouvintes:

Estamos em pleno verão! É nessa época que a desidratação infantil costuma atingir altíssimos índices!

Arquejante, um garotinho pobre, de quatro ou cinco anos, jazia inconsciente no leito do hospital. Uma bolsa de gelo, na testa em fogo, tentava minorar-lhe o sofrimento. Um padre olhou para aquela criancinha subnutrida, com um aperto no coração, e perguntou à Irmã de Caridade que se achava à cabeceira do menino: “Irmã, o que pensa a senhora do sofrimento humano?

“O que penso? Penso aliviá-lo, quando possível” – foi a resposta.

Meus  Amigos: Perante o sofrimento, companheiro inseparável de nossa vida, podemos tomar atitudes diversas:

Podemos rebelar-nos abertamente com amargura e revolta. Outros repetem que Deus é cruel, permitindo o sofrimento do mundo. Outros o encaram com o estoicismo e ainda uma outra classe aceita-o na resignação cristã, tomando a cruz às costas, pedindo forças a Deus para carregá-la.

O homem realista procura aceitar o mundo assim como ele é. Esforçando-se, isso sim, por melhorá-lo para torná-lo menos áspero, menos tumultuado, mais saudável e mais acolhedor.

“Senhor, dai-me forças para aceitar o que não posso mudar! – Dai-me coragem para mudar o que posso e devo mudar e dai-me sabedoria para distinguir as duas posições.”

Meus prezados Ouvintes, o mundo está cheio de psicopatas, neuróticos e frustrados, beirando o suicídio. A moderna psicoterapia busca restituir-lhes a confiança, o afeto, o amor, a alegria de viver. “AFETO-TERAPIA” é uma ciência nova: é cura pelo afeto!

Pio XII lembrava: “muitos homens são ainda maus, porque não foram suficientemente amados”. E Michel Quoist, profundo conhecedor da alma humana escreve: “Para salvar a humanidade são precisos homens que passem a vida amando.”

O amor é o caminho mais curto para redimir complexos de inferioridade, para reajustar desajustados que sofrem de desidratação afetiva!

O maior sofrimento é o de estar só! Marginalizado! Carente de afeição! Há um pequeno gesto humano, que não custa nada a quem o dá, e enriquece consoladoramente a quem recebe: UM SORRISO! “Ninguém é tão rico que possa passar sem ele, e ninguém é tão pobre que não o mereça…”

E se você alguma vez encontra uma pessoa que não lhe dê o sorriso que você merece, então pelo menos seja você generoso: dê-lhe o seu”.

Ninguém precisa tanto, de um sorriso como aquele que já não consegue sorrir, na sua desidratação afetiva. Tenho dito.

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