Crônica do Frei Hildebrando datada de 1º de outubro de 1977

Meus prezados Rádio Ouvintes:

Quantos não estão sofrendo os pais e os educadores, com quantos problemas não estão arcando, na educação da mocidade!

Todavia, foi o grande senador americano TED KENNEDY quem disse, anos atrás: “Dentro do mundo atual, a classe mais sensível é a juventude! Enquanto nós adultos, tendemos a acomodar-nos, defendendo interesses particulares – os jovens se insurgem, gritam, protestam, inconformados com a sociedade que lhe apresentamos.”

No mundo da revolta de tantos jovens, vem à tona, invariavelmente, o mesmo estribilho: “O dinheiro e os valores materiais não nos satisfazem”!

Meus amigos, não canonizando os jovens. Todos nós conhecemos seus defeitos – suas incoerências – sua proverbial precipitação – sua imaturidade. Mas por outro lado, suas angústias carregam grandes pedaços de verdade! Seus protestos nos pedem constante exame de consciência e revisão e reflexão.

Adultos e jovens – têm a sua própria maneira de pensar e agir!

E quem está certo?

Acomodar-se, face às realidades que nos envolvem? – ou gritar, pedindo reformas radicais?

Em todo o mundo, o diálogo entre adultos e jovens de hoje vem sendo realizado mais ou menos nestes termos:

“Vocês,  jovens, chamam de hipocrisia: a sociedade de hoje – mas que tipo de sociedade vocês desejam então?”

Os jovens respondem: “Não sabemos bem o que desejamos… Todavia uma coisa sabemos:  “ “A sociedade atual  não nos srve !”

Os jovens estarão errados, se gastarem suas melhores energias apenas contestando, apenas criticando, apenas criticando, apenas demolindo…

CRITICAR, DESTRUIR, DEMOLIR  foi sempre mais fácil que CONSTRUIR!

Assestar baterias é mais cômodo que lançar PONTES, tentar  APROXIMAÇÕES!

Criaturas sempre amargas levantam suspeitas! Indivíduos  constantemente insatisfeitos contra tudo e contra todos talvez carreguem problemas pessoais não resolvidos!

Acomodar-se na omissão também não é construtivo. Deixar as coisas como estão, talvez seja covardia. Achar que tudo está errado, é exagero e extremismo também.

Adultos e jovens – talvez devêssemos meditar e viver aquela sentença de lucidez milenar: “Não temos o direito de exigir uma sociedade melhor se o melhoramento não iniciar conosco mesmos! Só tem o direito de criticar, quem tem a coragem de construir.”

Que bom seria, se nós adultos legássemos aos jovens um mundo mais humano e mais cristão! – sem guerras – sem rebeliões – sem hipocrisia e sem tantas represálias competitivas! Que bom seria, se nós adultos, já calejados pela vida e pelos contratempos, tivéssemos um pouco de sensibilidade dos mais moços! Que bom seria, se os jovens copiassem o exemplo de trabalho e esforço de tantos adultos honestos, inconformados também com os erros, a hipocrisia, a maldade e a corrupção deste mundo!

Que bom seria, se os jovens e adultos se dessem as mãos, investindo apenas na fraternidade, no progresso legitimo e na implantação da paz universal! Tenho dito.

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