Crônica do Frei Hildebrando datada de 09 de dezembro de 1978

Meus Prezados Rádio Ouvintes:

Casais há que sofrem – que lutam muito, porque, com o tempo, a família cresceu bastante. A propósito quero aqui relatar o que se passou numa emissora de rádio que abordava precisamente o assunto do controle da natalidade.

Uma ouvinte telefonou e disse mais ou menos isto:

“Aceitar muitos filhos em nossos dias de tanta carestia é simplesmente uma tolice – até uma imprudência criminosa. Eu só tenho uma filha e ponto final; pois, quero fazer essa minha filha muito feliz. Quando quiser uma bicicleta como a da vizinha – ela terá sua bicicleta. A mesma coisa em relação a roupas – gulodices – instrução e tudo mais. Ela não terá complexos. Ela será é feliz!”

Respondeu-lhe mais ou menos isto: – “Minha senhora – eu posso garantir-lhe que está tomando um bonde errado. Vai fazer de sua filha uma rematada egoísta e uma eterna descontente. Suas exigências e caprichos vão multiplicar-se e desenvolver-se tão depressa que a senhora não conseguirá satisfazê-los… Ela vai querer mais… e sempre mais… para a sua ilustre pessoa. Jamais a senhora conseguirá mimá-la o suficiente para que ela se declare feliz… e se, um dia, não lhe satisfizer um capricho qualquer… eu vou te contar!!! E mais tarde, mal preparada para os entre choques da vida, irá sofrer terrivelmente… e ADEUS FELICIDADES!!!…”

Meus prezados Amigos – se me refiro a esse incidente, é porque o assunto é muito atual, e principalmente, porque desejo aqui render as minhas homenagens aos pais e mães de famílias numerosas que, tendo de optar entre uma prudência, às vezes, demasiado humana e a divina Providência quiseram dar uma chance a esta última.

Bem conheço todas as nuances que devem ser levadas em conta! Mas o caso, em que estou pensando, é de um grande amigo que tem recursos, e coragem necessária para prover às necessidades dos seus, sua mulher também corajosa, uma verdadeira heroínas, goza de excelente saúde. Ambos estão plenamente de acordo em atirar-se, de corpo e alma, na ventura de uma família fecunda. Pois amigos, esse mesmo amigo, outro dia, se queixava: “Se o senhor soubesse as zombarias – os sarcasmos e as ironias que minha mulher e eu temos de aguentar! Alguns falam de brincadeira – mas outros parecem que tem raiva da gente!”

Meus Prezados Rádio Ouvintes – que existam casos complexos e mesmo trágicos há: Quanto a isso não há dúvida. Mas, por favor, jamais condenem os casais que, como toda a consciência e, muitas vezes, com heroísmo, escolhem outro caminho. E resolvem dar livre curso à fonte de vida, que DEUS colocou dentre deles e parabéns para eles.! Tenho dito.

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