Crônica do Frei Hildebrando – datada de 17 de fevereiro de 1973

Meus prezados Rádio Ouvintes:

Neste mar imenso da humanidade sofredora correm incessantemente verdadeiras correntes de lágrimas. Há mesmo tanta dor e tanta aflição neste mundo que alguém poderia ver-se tentado a afirmar que esta vida é só sofrimento e nada mais.

No entanto, meus amigos – nem tudo são lágrimas neste mundo, nem há só dor e aflição na vida desta humanidade que é realmente sofredora. Pois há também alegria – há também sorrisos e prazeres; há também consolações compensadoras.

Sim, caminhamos todos por espinhos e rosas, por entre lágrimas e sorrisos.

Mas importa muito que cada um de nós saiba viver e, vivendo, saiba caminhar por entre sorrisos e lágrimas, rosas e espinhos. Tudo isso faz parte de nossa existência terrena.

Gosto muito de repetir o que muitas vezes tenho lembrado; há diversas maneiras de encarar as coisas. Contemplando-se rosas com espinhos vai poder ser muito diferente a reflexão de cada um.

Sorrindo por entre espinhos e chorando por entre rosas, isso também torna razoável a nossa vida. Chorando ou sorrindo – é preciso olhar para as rosas mais do que para os espinhos, é mister sentir menos o pungente ferir dos espinhos do que a feliz consolação das rosas. Alguém que se deixou dominar pelo pessimismo, por certo não sabe ver rosas por entre os espinhos. Mas alguém que acostumou a nortear a vida pelo otimismo sempre considerar ver entre os espinhos também as rosas.

Meus amigos, o otimista diante de uma linda rosa com espinhos dirá: “Que bom! Que beleza! Mesmo entre os espinhos há rosas!”

Enquanto, pelo contrário, diante da mesma rosa, o pessimista dirá: “Que pena, até na rosa há espinhos!”

Assim, senhor, apesar do mar imenso de lágrimas, de dores e aflições, a vida não é apenas sofrimentos.

Mesmo entre tanta dor e tanta aflição há muita alegria na vida. Prefiro ver a rosa com a beleza de suas cores, a variedade de suas formas embora com as rosas sempre estejam também os espinhos.

Meus caríssimos amigos: são estas considerações que podem ser bem úteis para reestabelecer em nós o equilíbrio emocional. Tenho dito.

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