Crônica do Frei Hildebrando datada de 28 de março de 1970

Meus prezados ouvintes:

Ontem, na impressionante cerimônia comemorativa da Paixão e Morte de Nosso Senhor, o evangelista S.  João referia estas palavras tão simples e, ao mesmo tempo, tão profundamente significativas: “Junto à cruz de Jesus estava, de pé, sua Mãe.”

Meus amigos: Maria Santíssima, mormente no caminho do calvário e aos pés da cruz de seu Filho, agigantou-se sobremaneira de sorte que ela é, com toda a razão, universalmente proclamada, RAINHA DOS MÁRTIRES. Sim, ela tornou-se mártir muito embora algoz algum jamais tivesse tocado seu corpo virginal. Ela teve o martírio do coração! Martírio dos mais cruéis algozes.

Para compreender perfeitamente esse martírio da Mãe de Deus, mister seria abranger a imensidade do seu amor a Jesus!

Diz o Evangelho: “Onde está o teu tesouro – está também o teu coração”. Ora, o tesouro de Maria era Jesus – e quanto mais o amava, mais sofria! Ele, Jesus, era a majestade infinita, Rei do céu e da terra – e Maria teve que deitá-lo, pobrezinho e nu, sobre as palhinhas de uma estrebaria!

Ele era a Santidade infinita – e Maria o viu prostrado entre os ladrões, entre os mais vis criminosos, viu-o postergado até ao próprio facínora Barrabás!

Ele era o grande benfeito e do povo, realizando inúmeros milagres, curando-lhe os doentes, ressuscitando-lhe os mortos – e Maria depois o vê apupado, vilipendiado pelo mesmo povo – ouve essa mesma plebe gritar, ulular, vociferar: “A cruz para ele! Morra! Seu sangue venha sobre nós e nossos filhos!” E depois teve de contemplar Jesus barbaramente açoitado, transformado numa só grande chaga viva – ludibriado, coroado  de espinhos e condenado a morte carregando ele mesmo a própria cruz, todo exausto, todo banhado em sangue e poeira e escarros – e finalmente crucificado pendurado no patíbulo infame e sendo ainda blasfemado e insultado da maneira mais desumana pela soldadesca e pelos escribas e fariseus.

Era o auge, o clímax da dor!

Exclamou Santo Anselmo: “Se Deus não tivesse conservado a vida de Maria por um milagre singular, a dor imensa e inaudita a teria fulminado”. Realmente Nossa Senhora pode exclamar: Ó vós homens! – Oh todos vós que passais pelo caminho, olhai se há dor que se possa comparar à minha”!

Meus amigos: Nestes dias vimos o próprio Filho de Deus sofrer tanto e tanto por nosso amor… e vimos igualmente Maria Santíssima, a mais pura e a mais sublime das criaturas, mergulhada num mar de dor!… TUDO isto não nos deve servir de estímulo e coragem para sofrer também alguma coisa, carregando a nossa cruz de cada dia com paciência e resignação?! Tenho dito.

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