Crônica do Frei Hildebrando datada de 13 de abril de 1968

Meus prezados Ouvintes:

Ontem, assistimos, em espírito, toda a Paixão de Nosso Senhor.

Um lúgubre sepulcro foi o ponto final de toda a sua missão messiânica.

Aparentemente sofrera Jesus o mais estrondoso fracasso de que havia memória nos anais da Palestina. Na própria cruz fora desfiado pelos seus inimigos; “que descesse do patíbulo, provando assim ser realmente o Filho de Deus – e todos creriam nele; – mas ele não descera. Assim passava por um pseudo Cristo desmascarado; estava aniquilada a sua reputação; estava aniquilada a sua escola, aniquilada a sua doutrina; aniquilado ele mesmo, e depois soterrado debaixo dum enorme bloco de pedra.

Sua Mãe, após o sepultamento, retirara-se para um modesto aposento no monte Sion, levando consigo como sacrossanta lembrança a coroa de espinhos, colocando-a sobre a mesa numa toalha de linho branco; fechou a porta – ajoelhou-se diante da preciosa relíquia, beijou-lhe reverentemente as gotas de sangue, e com os olhos fitos naqueles espinhos pontiagudos, deixou-se ficar sozinha entregue à suas recordações, imersa na sua grande soledade; – sim, na sua grande soledade, … pois, já não estava mais com ela o seu Jesus.

Eclipsara-se o sol de sua vida; morrera o único objeto de seu santo amor … era enorme o vácuo de sua alma … profunda a desolação do seu interior …

Meus amigos. – Nós, neste momento, façamos companhia em sua soledade.

O melhor consolo, o melhor conforto que lhe possamos dar, é reafirmar-lhe, reassegurar-lhe a nossa solidariedade, a nossa fidelidade, o nosso amor a Ela e a Seu divino Filho.

Meus prezados Ouvintes: Maria Santíssima, a Mãe das Dores, é nos exemplo.

No alto do Calvário, junto da cruz de seu filho, ela ficou de pé.

E, depois daquela tremenda tragédia, no auge das aflições, não vacilou um momento só… porque a sua fé em seu Filho divino, em Jesus, era inabalável, incondicional, imperturbável.

Ela sabia e acreditava, apesar de tudo, que após aquela horrenda Sexta-feira Santa da Paixão despontariam os albores do domingo da Ressurreição.

Todos nós que sofremos também, jamais desanimemos, jamais percamos a fé, a esperança! Jesus não falta.

Breve, muito breve virá o grande dia da glória.

Muito Boas Festas de Páscoa, muitas graças do Ressuscitado. Breve, muito breve virá o grande dia da glória. Tenho dito.

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