Crônica do Frei Hildebrando – datada de 03 de novembro de 1979

Meus prezados rádio ouvintes;

No ano de 1943 iniciou-se em Roma o movimento denominado de “VOLUNTÁRIOS DO SOFRIMENTO” que a princípio, incluía apenas sacerdotes inválidos, porém, a partir de 1947, a sociedade transformou-se num Movimento Geral a favor de santificação da dor… isso em Roma e fora de Roma.

Trata-se duma associação de enfermos, cujos membros assumem o compromisso de levar com resignação a sua cruz, oferecendo os sofrimentos segundo os pedidos formulados por Nossa Senhora em Lourdes e Fátima. Procura-se ainda fazer compreender aos que sofrem, a função social cristã da dor, demonstrando-lhes que os sofrimentos os não colocam à margem da vida, mas antes são úteis e necessários a si e à humanidade.

Pretende-se assim conquistar o doente por meio do doente! Os doentes do corpo pedem a cura dos doentes da alma. Os Voluntários do Sofrimento tomam como palavra de Ordem a da SSma. Virgem: “ORAÇÃO E PENITÊNCIA”. Não precisam de outro estímulo mais que estas magoadas palavras da Senhora de Fátima: “muitas almas vão para o inferno, porque não há quem peça e se sacrifique por elas.”

Para que os sãos também tivessem a sua parte no movimento, foi criada paralelamente a “Associação dos sofredores Voluntários”:  a “LIGA DOS IRMÃOS E  IRMÃS DOS DOENTES”, constituída por pessoas de família, ou outras, unidas à vitima, e que se comprometem a tê-la em comunicação com o Centro, a acompanha-la nas peregrinações e retiros, prestar-lhe todo o conforto possível ao corpo e à alma.

No dia 08 de dezembro de 1951 juntaram-se na igreja do Hospital da ILHA TIBERINA mais de 200 doentes.

No Ofertório da Missa houve uma cena deveras comovente e de grande simbolismo. Um rapaz cego fez publicamente a oferta de seus sofrimentos, dizendo: “Ó Senhor, eu Vos ofereço a luz das minhas pupilas apagadas… para que tantos corações cegos Vos possam ver!”

Uma menina atacada de tuberculose rezou assim: “Senhor, eu Vos ofereço, por intermédio de Maria Imaculada, o sacrifício de viver num hospital de tuberculose, para que as crianças do mundo inteiro sejam livres de tantas insídias!” Também falou um paralítico: “Ó Virgem Imaculada, Mãe de Jesus e minha Mãe, ofereço a minha imobilidade e o meu isolamento ao Senhor, para que as almas se amem e se sintam todas como Irmãs!”

E para terminar, ouçamos ainda o testemunho de uma mocinha, de 21 anos de idade  e 9 de doenças: “Amo a minha cruz tal como m’a apresentou o bom Jesus fico contente com qualquer cruz, que o Senhor queira por sobre meus ombros. Que importam os sofrimentos? O Senhor é tão bom, e tão largamente me recompensa com a sua paz! Que me importa que Ele me deixe passar, sobre um leito de dores, os anos mais belos da minha juventude?

Os sofrimentos são tantos: físicos – morais – abandono das amigas etc… mas é o Senhor que quer todos os meus sofrimentos! que devo temer?”

Meus Amigos – em certas horas de pesada provação, nos fazem bem, muitíssimo bem, testemunhos como estes. Tenho dito.

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