Crônica vinda do Coração

Bênção ou Maldição?
 
Suscitada por uma singela Maria que segurou minha mão demoradamente, na minha chegada à capela para a missa de sábado, enquanto me suplicava: “não deixe essa Casa ser vendida”. Só lhe respondi que faço parte dos “amigos do Retiro São Francisco” e que esse grupo confia no poder de Deus. Precisamos orar ao Senhor dos exércitos, ao Deus do impossível.
Acordei com essa missão: escrever. Fui chamada a fazer a 2ª. leitura da celebração em que S. Paulo, o grande apóstolo de Cristo ensina aos Coríntios e a nós, hoje, o significado da Sabedoria de Deus e a do mundo. Muito adequada àquele momento ou, melhor, a esse momento.
Passei a celebração refletindo sobre o sentido daquela pequena capela, onde tantos, no decorrer desses anos conheceram Jesus e dele receberam graças. Fazendo um paralelo com as placas dos doadores, fiquei a imaginar quantas vezes poderia ser multiplicado esse número de placas com outras tantas de graças recebidas, outras com nomes de pessoas que ali se converteram ou aqui conheci Jesus, numa destas eu me incluiria.
Certamente a Casa de Retiro São Francisco não tem tanto valor arquitetônico, mas, quanto valor espiritual impregnado em suas paredes e recantos. Contudo esse valor é invisível, como fala “O Pequeno Príncipe” – “o essencial é invisível aos olhos”. Transportei-me em pensamento ao Velho Mundo e pensei se as lutas, as revoluções e as guerras tivessem destruído as catedrais, que perda para a humanidade! Valor arquitetônico elas têm, histórico também, mas quanto valor espiritual impregnado em cada pedra conduzida pelos fiéis que participaram das suas construções no ensejo de serem ouvidas as suas preces e para que nós, hoje, pudéssemos ser testemunhas desses mil anos de história.
Infelizmente o Brasil não valoriza guardar sua história, suas referências, seus valores. Ninguém se interessa mais em conhecer seus vultos que com valores éticos, morais e religiosos construíram nossa curta história. Assim, sem memória fica mais fácil destruir, abrindo espaço à especulação imobiliária que fazendo uso de suas possantes máquinas causam os efeitos de uma  revolução ou de uma guerra.
Fico a pensar em S. Francisco, fundador dessa Congregação. Ele que tocado por Deus foi capaz de desafiar a família, a sociedade e a Igreja do seu tempo! Que teria acontecido com sua obra? Onde se encontra o manual das suas regras com as condições dos votos e compromissos? Teriam se perdido nas destruições anteriores, afinal quase 800 anos se passaram… Teriam perdido sua função, seus objetivos?
Imagino que há um clima de perplexidade não só para nós pobres mortais e que somos Igreja, também, mas na Casa do Pai onde se encontram D. Tomas, D. Tepe, Fr. Agostinho, Ir. Ana Maria e tantos leigos que compartilharam dessa Casa, centralizando seu idealizador – Fr. Hildebrando que, tendo vindo da Alemanha com uma visão mais larga de mundo não economizou esforços para proporcionar aos baianos e ao Brasil essa riqueza sem ouro, mas com pedras que falam por si.
Fica a reflexão: é bênção ou maldição?

Escrita por Maria Licia Gordilho Pessoa em 13/02/2011

Esta entrada foi publicada em Noticias do Retiro e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.

3 respostas a Crônica vinda do Coração

  1. Ney Fernando V. Pinheiro disse:

    Envidando esforços para não ser dramático, da mesma forma que nadando contra a maré, mesmo assim, sinto a sensação de estar avançando à cerca de 3 passos para a frente mas, 2 para trás, em toda essa conjuntura que, mesmo com lampejos de esperança, não deixa de transparecer tanto desânimo. E aí minha memória, agregada ao meu espírito, me conduz a alguns sentimentos, puramente humanos, que, ao longo da existência, algumas vezes, entre muitas etapas, nos faz pensar que os nossos semelhantes são só alegria, paz, amizade, amor até, puros como desejamos, com o ardor que a fé nos impõe, mas, que, de repente, despertamos em um prisma reluzente, como um caleidoscópio virtual, transformando imagens reais em irreais e vice versa e assim reconduzindo-nos à unica realidade, a que nós convivemos, apalpamos, sentimos, aquela onde a nossa razão conflita com o nosso coração, porque vimos com todos os nossos sentidos como as almas diferem, nos premiando ou castigando quando verdadeiramente deveriam fazê-lo no inverso dos nossos anseios; e aí, a decepção, a desilusão e por fim a mancha indelével, perene, herança ingrata, imorredoura assume os nossos espíritos. Assim, os mentores Franciscanos, do lado oposto ao da razão, sequer nos acena do seu círculo sagrado para enxugar nossos prantos, advindos de propósitos absolutamente inexplicáveis; ao contrário, nos flagela de forma insólita e cruel apartando-nos do nosso querido refúgio espiritual, o Retiro de São Francisco. “Senhor, sois a nossa força e o nosso alento, intercedei por nós nesse momento cujas forças físicas e morais empenhadas, não dispõem da capacidade de reverter um processo tão mesquinho dolorido, assaz inusitado!”
    Ney Pinheiro

  2. Ney Pinheiro disse:

    Permitam-me expressar alguns pensamentos que ultimamante têm povoado a minha mente, como uma enfermidade que se apodera do nosso corpo sob a presença de tão pertinaz ameaça:
    “Ontem, na penumbra da madrugada, meus sentidos, aliando-se aos sobressaltos desses dias angustiantes, direcionaram-se repassar os momentos de apreensão, dúvidas, incertezas e até mesmo desilusões; pior ainda, adveio aquela sensação de solidão, aquela que só damos conta tomados pelo silêncio crucial, profundo! É nesse momento que nos encontramos com nós mesmos, fracos e sozinhos; nossa consciência e nossas ações, ou nossos propósitos, ou ainda, a revelação dos nossos medos, principalmente o da morte e à qual, para seus impenetráveis estígmas, somos conduzidos. Sim, sei, somos apenas humanos, frágeis, errôneos, devedores contumazes da obediência aos sagrados mandamentos. Só nos sentimos à salvo e seguros quando um empuxo advindo dos recônditos da alma, acaricia e faz assomar à nossa consciência os atenuantes da Fé, nobreza de propósitos e sobretudo sinceridade com os nossos semelhantes. Com um auto exame espiritual definimo-nos diante da dádiva de viver, e é nesse momento que o nosso merecimento se aclara e se torna explícito, nossos sentidos se curvam recobrindo-nos de humildade, sentimento de perdão, ou mesmo até, revestindo-se de certa arrogância; acerca-se a realidade e com ela todas as injustiças, do convívio falso com os que nos fizeram crer deterem virtudes, fé e respeito pelas dádivas sagradas que assimilamos e que no final tentam destruí-las com golpes sutís e tão amargo desapreço. Quem jamais pensaria que alguem ou alguns, tais sórdidos guerreiros, levantariam suas clavas insanas contra um bem que sempre esteve acima de todos os males, semeando paz, amor e fé espiritual? Porque em um lugar onde dá refugio à tantas almas aflitas e unge nossas cabeças com os fluidos da esperança, de repente sucumbe à meia dúzia de insensatos? Ó Deus de todos nós, fazei-me ressonar suavemente até o amanhecer ainda que no meu mundo, e de pronto, retomar o caminho da esperança para glória de um ressurgimento, ainda que, tenhamos que atravessar os limites do imensurável horizonte! Traga-nos de volta ó Senhor, mais que depressa, para a celestial serenidade do nosso amado Retiro de São Francisco para um sagrado sossego de todos os corpos, mentes e almas, envolvidos nesse insólito contexto!”
    Quase dormindo, nem sei se fui eu que bem falei: “Assim Seja!”
    Ney Pinheiro

  3. Alírio Cavalcanti disse:

    Relendo mensagens do Grupo de Amigos do Retiro São Francisco…A gente chega a se emocionar…Algumas nós convivemos na mesma trincheira desse front, outras ouvimos falar…outras não conhecemos…Mas todas fazem parte de um mesmo grupo, do Grupo de Amigos do Retiro São Francisco…UMA GRANDE BATALHA; UM FRONT E VÁRIAS TRINCHEIRAS…Cada qual com seu quinhão…MUNIDOS DE ORAÇÕES:AVANÇAMOS!
    Mãos que se dão, passos que avançam…UM OBJETIVO: A REABERTURA DA CASA DE RETIRO SÃO FRANCISCO.
    Penso escutar um ECO no meio da noite insone…”…ONDE HOUVER DISCÓRDIA, QUE EU LEVE A UNIÃO…”
    Fico imaginando São Francisco lá no alto do céu orando…aguardando…com o olhar e o coração voltados para a Casa de Retiro e para todos os envolvidos…Penso N’ele visitando a Casa de Retiro, a Capela, os Jardins…Será que teve dificuldade em passar no portão? Não! Que bobagem…Santo não precisa disso, àquela obra com àqueles portões e portas abertas são para nós OS NECESSITADOS! Não foi para isso que São Francisco se doou? Não foi para isso que congregou à sua volta à Ordem Franciscana?
    Decerto ao perceber meus pensamentos…O Santo humilde da Cristandade “voou” para juntos os seus irmãos…A ESPERANÇA SE RENOVA…

    NA JUSTIÇA DOS HOMENS À VITÓRIA SE APROXIMA ATRAVÉS DA AÇÃO DIVINA…NO AGIR SANTO…O REENCONTRO SE DESENHA NO HORIZONTE…
    Antevejo alegria e Paz…

    E muito trabalho pela frente…pois a Casa de Retiro precisa voltar a BRILHAR COMO UMA ESTRELA DE DEUS para acolher os que vão à procura de LUZ.

    Não é esta a MISSÃO?

    Salvador, 07 de Setembro de 2012

    Alírio Cavalcanti

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>