Crônica do Frei Hildebrando Palestra datada de 23 de julho de 1977

Prezado Ouvinte:

Esta palavra é para ti, alma sofredora, desolada, alquebrada pela dor.

Soou a grande hora de tua vida.

E é nesta hora que mais vivamente deveis abraçar a grande verdade de que Deus é sempre nosso Pai. Pai infinitamente bom que nos ama com amor inexcedível só podendo querer o nosso verdadeiro bem.

Se Ele, às vezes, não nos concede alguma cousa, que tão insistentemente pedimos, então é só e tão somente porque sabe que aquilo não nos serviria para a nossa felicidade – ou aqui ou na eternidade.

Deus enxerga muito mais longe do que nós!

Nós somos, às vezes, bastante míopes, em certas circunstâncias; somos, por vezes, como que crianças pequeninas!!!…

QUÃO frequentemente não sucede que o filhinho, sentadinho no colo da mãezinha pede um alfinete ou uma faca ou outro qualquer instrumento cortante, que, por acaso, repare sobre a mesa.

A mãe por ventura lhe dá aquele objeto?… Absolutamente não!…

A criancinha insiste e pede e implora, – porém, é tudo em vão!…

Julga ela então ser má vontade da mãe e começa a estrebuchar, a chorar, a espernear, a agitar-se desesperadamente. Entretanto, é tudo debalde!

A mãe continua firme: não cede de forma alguma! E, por que?

Justamente porque querendo bem ao filhinho, procura afastar dele tudo que lhe possa ser prejudicialmente fatal.

Meus caros Ouvintes – também nós GENTE GRANDE, não raras vezes assumimos atitude de criança pequena – em relação a Deus, face às provações e sofrimentos!

Lembremo-nos de que, quando Ele nos priva de alguma coisa, é para nos livrar de um mal imprevisto, justamente porque nos quer bem.

Há tempos, uma senhora me pediu para rezar muito pelo seu esposo, cujo estado de saúde inspirava sérios cuidados. A enfermidade porém foi-se exacerbando cada vez mais; os médicos esgotaram os últimos recursos, e, finalmente, extinguiram-se as derradeiras esperanças.

A esposa ficou como que alucinada. “Ah, isto não podia ser!… Deus não podia levar-lhe o marido tão bom, tão carinhoso, tão dedicado chefe de família!…”

“Ah, EU NÂO ME CONFORMO”! e não me conformo, exclamava ela, desvairada de desespero e de revolta. “Meu marido não pode morrer!… não deve morrer!… Senhor Deus, conservai-o, salvai-o. Não o posso perder!… EU NÃO ME POSSO CONFORMAR E NÃO ME CONFORMO!”

E Deus que evidentemente queria levar-lhe o esposo, lhe fez a vontade. Não o levou!… contra toda a expectativa, como por um milagre, ele convalesceu!

Pois bem, meus Amigos, dois anos depois, precisamente dois anos depois, a mesma senhora me escreveu: “Frei Hildebrando, reze por mim. A minha vida transformou-se num verdadeiro inferno! Imagine: meu marido entregou-se ao vício da embriaguez! É uma cousa simplesmente horrível! Incrível! – Quanto já tenho chorado!…”.

“Ah, se Deus o tivesse levado naquela grave doença há dois anos atrás, como teria sido bom!!!.”

É meus caros Ouvintes: se Deus o tivesse levado nos dois anos atrás, e se o tivesse levado, quanta incriminação, quanta blasfêmia não seria ouvida.

Meus caros amigos, deixemos Deus agir e governar como bem quiser. Ele sabe o que faz e só pode visar, em tudo o que for melhor para nós. Tenho dito.

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