Crônica do Frei Hildebrando datada de 1970

Meus prezados ouvintes:

Outro dia deparei-me com uma oração que me impressionou bastante e que, de certo, há de interessar também aos ouvintes deste meu programa AOS QUE SOFREM. Razão porque a reproduzo aqui.

O título é: ORAÇÃO DE ALGUÉM QUE SOFRE COM OS QUE SOFREM:

Nesta hora, Senhor, quero estar só! Só, diante de ti, Contigo, para te dizer o que sinto: para te dizer a multidão de preocupações que me invade todo dia. Para fazer também  o meu pedido de bênçãos sobre toda a família sofredora deste gigante Brasil sofredor.

Sim, fico pensando, Senhor… Pensando naquela família de Nazaré: Maria, a boa serva do Senhor, sempre pronta a fazer a vontade divina. José, o carpinteiro, cumprindo com exatidão os deveres de seu ofício, para sustentar bem esta família tão humana. E, um filho! Este filho teria um grave destino. Ali estava ele! Podíamos dizer: um autêntico subversivo em germe para aquela época e, talvez, para todas as épocas. Um filho que mais tarde deveria ser caluniado, maltratado e até morto, porque sublevava o povo contra estruturas arcaicas que de há muito vinham esmagando os pobres em favor de uma elite. Este filho eras tu, Senhor, na pessoa daquele homem chamado Cristo.

E nesta hora, Senhor, em que contemplo esta família pobre, de destino santo, eu fico pensando. Fico pensando em tantas famílias pobres que são pobres, porque são exploradas, incompreendidas e abandonadas! Sofro com esta gente, Senhor. Esta família pobre que dorme nas calçadas, embrulhada em jornais velhos. Aquela do morro que não tem nenhuma comidinha para a criança que chora, de estômago vazio. Esta pobre que tem tão pouco de humano, porque lhe faltam recursos – Instrução, União, Amor, Calor humano. Eu tenho pena das crianças pobres e abandonadas. Eu compreendo, Senhor. É todo um contexto social que faz esta gente sofrer. Mas não é só. É principalmente o egoísmo humano que tira de tantos lares o resto da humanidade, que ainda existe. E tu, Senhor, nos fizeste para sermos humanos. Para sermos gente! Para sermos felizes!

Estou triste, Senhor. Confuso… Bem que gostaria de ajudar a levantar esta família pobre. Já tentei… Mas como é difícil, Senhor! Abençoa esta família brasileira que sofre na miséria, para que encontre apoio nos irmãos mais abastados. Abençoa a nossa sociedade. Tenho dito.

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Crônica do Frei Hildebrando – datada de março de 1973

Meus prezados Rádio Ouvintes

Muitas e muitas vezes mister  se faz: elevarmos os pensamentos ao alto e fixarmos o coração na eternidade.

Quando a dor nos visita; – quando somos agitados pela revolta; – quando abatidos pela depressão ou envoltos pela tristeza – torna-se necessário voar na direção vertical das coisas sublimes. Para tanto possuímos as misteriosas asas da esperança.

Afinal de contas – tudo é tão fugaz neste  mundo que passa; tudo é tão efêmero neste globo terráqueo, por onde peregrinamos… Mas o importante não é passar… peregrinar…! O importante é: pensar, refletir! Sim, pensar, refletir como tudo nos parecerá indiferente no momento, em que tivermos que alçar o último voo, ajudados por uma luz especial, mas viva! Que nos fará ver mais de perto e melhor a Verdade!!! Devemos sempre de novo pensar e considerar que os sofrimentos de modo geral, num dia, naquele último momento, nos parecerão relativamente bem pequeninos…!!… e que é  curto o sofrimento em face da alegria eterna que esperamos.

Devemos sempre de novo recordar-nos das sublimes palavras do Apóstolo S. Paulo: “Todos os padecimentos e provações e privações desta vida não são comparáveis com as delicias do céu, que Deus preparou para os que o amam”.

Além disto pensamos também nos outros!!… pensemos neles no sentido de lhes aliviar as dores… de consolá-los em suas aflições.

Doçuras inefáveis, jamais imaginadas experimentaremos diminuindo as amarguras que torturam o próximo, e fazendo-lhes crescer a esperança e confiança em Deus… mergulhando finalmente todas as tristezas na certeza da nossa imortalidade. Tenho dito.

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Crônica do Frei Hildebrando datada de fevereiro de 1970

Meus prezados ouvintes:

Sim, meu amigo, o mundo está realmente cheio de misérias; no entanto, não adianta, não convém absolutamente tornar-se misantropo, abandonar-se ao pessimismo inerte, infrutífero. Mui pelo contrário -  torna-se missão sair deste torpor, sair desse abatimento que ameaça envolver toda a alma. Procure pelo contrário, colher umas mimosas flores que alegrem, elevem, encantem o coração. Pergunta você naturalmente: “Colher flores?… mas que flores? E para que? Por que?” Colha flores espirituais, meu amigo. Exerça, por exemplo, um pequeno apostolado no meio, em que vives – um pequeno apostolado de caridade – pouco custa; dar uma pequena esmola ao pobre – pouco custa, dar uma ajudazinha ao seu próximo – pouco custa; dar uma palavra de conforto e de coragem a uma alma atribulada – pouco custa; conquistar uma alma – uma só que seja – para N. Senhor. Jesus que tem sede de almas pouco custa. E há tantas almas transviadas por aí… Não precisa procurar muito! Tome a primeira ao alcance de sua mão e dê começo à obra impar, porque aquele que houver convertido um pecador, terá apagado um bocado de seus próprios  pecados; diz a própria escritura.

Você veio ao mundo para fazer alguma coisa; veio com algum objetivo destinado a alguma alta missão! Deus lhe deu a vida – e está esperando agora que você se decida a retribuir-lhe o presente régio com outro régio presente!

São muitos os caminhos – muitos os processos. Tem você plena liberdade de escolher… contanto que faça alguma coisa.

Não lhe falta o espírito de iniciativa, de decisão, de arrojo. Sobram-lhe forças físicas e também energias morais.

E mesmo que imobilizado se encontrasse sobre o leito da dor – e precisamente nessa situação – pode exercer o apostolado da oração – o apostolado de expiação – o apostolado do bom exemplo, de paciência, de resignação – o apostolado de redenção, oferecendo os seus sofrimentos, em união com a Paixão de Cristo, pela conversão e salvação de determinada alma. E pouco a pouco verá o resultado, pouco a pouco verá a boa semente medrar, pouco a pouco colherá as mais lindas flores de seu apostolado,…e uma alegria infinita, jamais experimentada inundará a sua alma… e seus olhos brilharão de felicidade. Tenho dito.

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Crônica do Frei Hildebrando – datada de 22 de fevereiro de 1985

Meus prezados Rádio Ouvintes:

Sim – estamos no tempo de quaresma… tempo de séria reflexão.

Lembremo-nos aqui das palavras que Jesus proclamou solenemente e que ouvimos talvez já milhares de vezes: “Quem quer ser meu discípulo – renuncie a si mesmo – tome a sua cruz diariamente e me siga!”

Sim, meus Amigos essas palavras – realmente já as ouvimos muitas e muitas vezes… mas sem nos querermos bem profundamente compenetrado seu sério e real sentido.

A verdade é, meus amigos, que quase ninguém quer sofrer… mais todos, um dia, querem entrar no céu.

Estejamos bem lembrados que esta vida aqui na terra é apenas um simples estágio – estágio para nos preparar para a nossa verdadeira vida no céu. Esta vida aqui na terra não é… não é… e outra vez: não é a nossa verdadeira vida, como muitos imaginam… é apenas um estágio.

Meus Amigos, Deus quer que no céu seja merecido.

Os próprios apóstolos custaram a compreender o sentido do sofrimento na vida de Jesus.

Só depois da descida do Espírito Santo, no Pentecostes é que começaram a enxergar mais claramente e entraram no plano divino, chegando a alegrarem-se, quando lhes foi dado padecer os primeiros pelo nome de Jesus.

Diz S. Pedro:” foi para sofrer que fomos chamados para seguir o Cristo que tanto quis sofrer por nós”.

E S. Tiago completa “meus irmãos – tende por motivo de maior alegria: sofrer as várias tribulações que nunca faltam na vida”.

Portanto, meus prezados irmãos peçamos a Deus a graça de fazermo-nos uma boa quaresma e nos compenetrar mais e mais do nosso verdadeiro destino… destino que não significa esta terra… mas sim a eterna felicidade do céu… como recompensa da nossa vida cristã.

Tenho dito!

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Crônica do Frei Hildebrando – datada de outubro de 1970

Meus prezados Ouvintes:

Uma das doenças mais dolorosas, mais penosas, mais vexatórias é, sem dúvida a cegueira.

Um dos missionários da Índia  enviara à uma Comissão Episcopal da Alemanha a notícia de naquele país pagão existiam inúmeros casos de cegueira e muitas pessoas que sofrem da vista e que careciam de recursos necessários para adquirir óculos. Imediatamente os católicos alemãs organizaram uma Campanha Beneficente, arrecadando mais de 70.000 óculos de todos os tipos.

A verdade é que setenta mil…são muitos óculos; mas mesmo assim não são tantos quantos a Índia necessita. Quanto menos… aqueles que necessita o mundo para remediar essas outras cegueiras de espírito! Pois, essas são, afinal de contas, as anomalias visuais que deixam um vestígio mais profundo na personalidade.

Milhões de homens sem fé – para os quais os vinte séculos de redenção não conseguiriam acumular um raio de luz em seu penoso caminhar para Deus!

Milhões de homens cegos, desde o dia do seu nascimento que convertem em triste realidade as palavras do Profeta Isaias, recordadas por Cristo: “Eles têm os olhos abertos… mas não vêm”.

Mas há outra cegueira parcial, talvez mais grave, porque mais responsável.

Cegueira parcial de espírito – essa que padecem todos aqueles batizados que aceitam Deus com a cabeça, com a boca, mas mantêm fechado o coração às exigências. São os cristãos que comparecem aos enterros, assistem Missa de sétimo dia ou trigésimo dia, Missa de aniversário de personagens importantes, Missa da festa do Senhor do Bonfim, Missa da Imaculada Conceição ou de outro padroeiro… pessoas que acompanham religiosamente procissões, ajudam até com certas parcelas de sua fortuna a Obras da Igreja  e Instituições de Caridade – atos em si evidentemente recomendáveis e louváveis, mas em tudo mais, essas mesmas pessoas não vivem, infelizmente com autenticidade e sua religião com as obrigações integrais para com Deus e sua Igreja; são católicos afetados pela cegueira espiritual.

Meus amigos: Rezemos do mais profundo do coração a Cristo que tantos cegos curou: “Senhor, cura-me também desta rebelde cegueira do meu coração, para que a Fé não seja na minha vida, apenas um brasão de nobrezas, mas sobretudo… arma de bom combate de vivência verdadeiramente cristã. Tenho dito.

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